US Open com ingresso popular? Nova York testa fórmula de inclusão com pós-golpe de marketing
Prefeitura e federação anunciam mil ingressos a US$ 100 para locais, mas estratégia esbarra em lógica do esporte-elite
A cortina do teatro do tênis-grande se abre com um gesto populista: mil ingressos do US Open a US$ 100, destinados exclusivamente a residentes de Nova York. O prefeito Zohran Mamdani, cuja bandeira é o combate ao custo de vida, assinou a medida como vitória social. Mas os números revelam o truque por trás do espetáculo - a TicketData mostra que o preço médio atual é US$ 288. Das mil entradas, algumas irão para as quadras Arthur Ashe e Louis Armstrong, centros do glamour tênistico. A USTA fala em "prioridade de acesso", mas mantém intacto o modelo de bilheteria que transforma torneios em eventos corporativos. Mamdani acerta no discurso - "os nova-iorquinos devem ver seus ídolos" -, mas erra na escala: são apenas 0,5% dos 800 mil ingressos totais do evento. O gesto é nobre, mas o tenista de classe média que sonha em ver Alcaraz ou Gauff ainda ficará na fila virtual - e no saldo negativo.