Vasco joga no campo da dívida para financiar o sonho da SAF
Empréstimo de R$ 150 milhões mantém o clube na partida, mas expõe o jogo duplo de investidores e credores na corrida pelo controle
A Justiça abriu o livro de lances do Vasco antes mesmo do leilão. A autorização para captar R$ 150 milhões com Lamacchia - credor e pretendente ao trono - revela o futebol financeiro que se joga nos bastidores. O DIP é a muleta que permite ao clube correr enquanto está quebrado, criando um paradoxo: para valer mais na venda, precisa gastar agora o que não tem. Especialistas enxergam racionalidade na jogada. 'Cada real queimado hoje pode valer dez amanhã', dizem. Mas o movimento tem cheiro de conflito: o mesmo capitão que financia a nau pode comprá-la depois, com vantagem de quem já conhece os porões. Os credores atuais assistem à peça de geração de valor, mas os verdadeiros protagonistas só entrarão em cena dia 25, quando os envelopes serão abertos. Até lá, o Vasco dança conforme a música - e a música está sendo tocada por quem pode ficar com a orquestra.