Votos nulos e brancos desafiam estratégias de PL e PT no Senado
Taxas históricas de inválidos refletem desengajamento e definem disputa estratégica entre partidos.
As eleições para o Senado em 2026 enfrentam o desafio histórico de atrair o interesse dos eleitores, diante de altas taxas de votos brancos e nulos. Em 2022, 18,7% dos votos para o Senado foram inválidos, taxa superior à de outros cargos como deputado federal (10,5%) e presidente (4,41% no primeiro turno). A situação se agrava neste ano, quando os eleitores escolherão dois senadores por estado, cenário que, em 2018, resultou em 26,9% de votos inválidos. Somando-se as abstenções, 42% dos votos possíveis foram 'perdidos'. Especialistas atribuem o fenômeno ao desengajamento dos eleitores com o Congresso Nacional e à falta de conhecimento sobre os candidatos ao Senado. O PL e o PT priorizam a disputa, com Bolsonaro buscando maioria para pautas contrárias ao STF, e o PT preocupado com o impacto de uma ampla maioria oposicionista em caso de reeleição de Lula. Atualmente, o PL tem 16 senadores e o PT, 9, dos 81 da Casa. Em 2022, Rio de Janeiro liderou o ranking de votos inválidos (33,3%), enquanto Amapá teve a menor taxa (7,3%).
A alta taxa de votos nulos e brancos no Senado reflete uma desconexão estrutural entre os eleitores e o Legislativo, mas também revela uma disputa estratégica entre PL e PT. Para o PL, liderado por Bolsonaro, a eleição é uma oportunidade de consolidar uma maioria que permita avançar pautas anti-STF e até promover impeachments. Para o PT, a preocupação é evitar uma bancada oposicionista forte, especialmente em um cenário de possível reeleição de Lula. A escolha de dois senadores por estado tende a ampliar a fragmentação do voto, beneficiando candidatos menos conhecidos e aumentando a taxa de inválidos. Estados como Rio de Janeiro e Pernambuco, com altos índices de votos nulos, são campos de batalha cruciais, enquanto Amapá e Acre, com menores taxas, podem ser decisivos para a composição final do Senado. A alienação eleitoral, portanto, não é apenas um sintoma de desengajamento, mas uma variável estratégica que pode definir o equilíbrio de poder na Casa.