Waymo dobra investimento em lobby na guerra regulatória dos táxis autônomos
Gastos de US$ 2 milhões em seis meses revelam estratégia agressiva contra Uber e resistência sindical
A Waymo, subsidiária da Alphabet, dobrou seus gastos com lobby no primeiro semestre de 2026, desembolsando US$ 2 milhões (R$ 10,3 milhões) para pressionar por regulamentações favoráveis aos táxis autônomos. O valor representa aumento de 93% em relação ao mesmo período de 2025 e coloca a empresa próxima aos gastos da Uber, sua principal concorrente no setor de transporte por aplicativo. Documentos oficiais mostram que a Waymo contratou o escritório Greenberg Traurig em maio, ampliando sua rede de influência em Washington. A estratégia contrasta com a da Uber, que defende uma transição gradual para veículos autônomos convivendo com motoristas humanos. O conflito de interesses levou ao esfriamento da parceria entre as empresas em cidades como Austin e Atlanta. Em Nova York, a Waymo já investiu mais de US$ 500 mil em lobby este ano, mais que o dobro da Uber, buscando acesso ao lucrativo mercado de táxis da cidade. A resistência de políticos e sindicatos, preocupados com a perda de empregos, tem dificultado a expansão da tecnologia em mercados-chave como Chicago e a própria Nova York.
A escalada do lobby da Waymo revela um cálculo estratégico de curto prazo: a Alphabet busca consolidar padrões regulatórios antes que a disputa por cidades-chave se torne irreversível. O timing coincide com janelas políticas críticas - em Nova York, a governadora Kathy Hochul recuou de propostas pró-autonomia no início do ano, criando espaço para pressão. Os US$ 2 milhões investidos representam não só defesa comercial, mas um esforço para moldar o marco regulatório antes que concorrentes como Zoox (Amazon) ou a própria Tesla ganhem tração. A divergência com a Uber é estrutural: enquanto a Waymo quer substituição total para maximizar margens, a Uber precisa proteger sua base de 3,5 milhões de motoristas parceiros. O aumento de gastos em 93% sinaliza que a Alphabet prioriza resolver na esfera política o que não conseguiu na tecnológica - a aceitação social dos robô-táxis. O risco é claro: cada dólar em lobby hoje evita custos futuros com adaptações a regulamentos fragmentados por cidade.