curadoria
Ao se aproximar, o olhar é imediatamente atraído pela densidade textural: uma parede de concreto rachado que domina o primeiro plano. Camadas sobrepostas de grafite desbotado e respingos de tinta vermelha, quase um grito contido, pontuam a superfície. Há uma figura humana, talvez um contorno, ou apenas uma sombra alongada, que parece fundir-se à arquitetura, quase indistinguível em meio à paisagem urbana. A composição é angulada, desequilibrada, como se um terremoto silencioso tivesse abalado a fundação.
A técnica, visceral e sem polimento, evoca a crueza das ruas e a urgência de um editorial feito às pressas. Os ocres terrosos e os cinzas asfálticos, salpicados pelo vermelho que remete a alarmes ou a sangue, não são meras escolhas estéticas; eles constroem a atmosfera de uma cidade que respira esforço. As pinceladas gestuais, quase rasuras, e os recortes fotográficos de fachadas e janelas velhas, colados com intencionalidade áspera, criam uma narrativa visual que pulsa com a energia do cotidiano esquecido, da vida que insiste em existir à margem.
Nesta trama visual, as fissuras no concreto tornam-se metáforas para as fundações que cedem, para a estabilidade que se esvai. A figura que se dissolve na parede sugere a invisibilidade, a perda de um lugar fixo, a ausência de um porto. Não se trata de uma casa específica, mas da ideia de lar que se torna um luxo inatingível, um son
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Aumento de aluguéis e queda da casa própria revelam exclusão habitacional
Dados do IBGE mostram que 24% dos domicílios brasileiros são alugados, enquanto taxa de proprietários cai para 66%.
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