Aumento de aluguéis e queda da casa própria revelam exclusão habitacional
Dados do IBGE mostram que 24% dos domicílios brasileiros são alugados, enquanto taxa de proprietários cai para 66%.
A investigação que a matéria não cobriu. Conexões, contexto histórico, fontes extras.
A síntese editorial. Posição declarada. O que tudo isso significa.
A proporção de brasileiros que pagam aluguel aumentou significativamente na última década, segundo dados do IBGE. Em 2012, 17% dos domicílios eram alugados, enquanto em 2022 esse número saltou para 24%. Paralelamente, a taxa de domicílios próprios caiu de 74% para 66% no mesmo período. O aumento do aluguel é mais expressivo nas grandes cidades, onde a falta de acesso ao crédito imobiliário e os altos preços dos imóveis dificultam a aquisição da casa própria. A região Sudeste concentra a maior parcela de domicílios alugados, com 28% do total, seguida pela região Sul, com 25%. O Nordeste, por sua vez, apresenta a menor taxa, com 18%. Especialistas apontam que a crise econômica e o aumento do desemprego nos últimos anos contribuíram para esse cenário, além da estagnação dos salários e do encarecimento dos imóveis.
O aumento expressivo dos aluguéis e a queda na taxa de domicílios próprios revelam uma engrenagem de exclusão habitacional que beneficia grandes proprietários e fundos imobiliários. O mercado imobiliário brasileiro, historicamente concentrado, ganhou força com a entrada de capital estrangeiro e a profissionalização do setor de locação — enquanto o acesso ao crédito para compra de imóveis se tornou mais restrito. O timing coincide com a expansão dos Fundos de Investimento Imobiliário (FIIs), que viram seus ativos crescerem exponencialmente na última década, alimentando um ciclo vicioso: quanto mais pessoas são forçadas a alugar, mais lucrativo se torna o negócio de locação. A região Sudeste, onde o mercado é mais maduro e os preços são mais altos, lidera essa tendência. Enquanto isso, políticas públicas de habitação, como o Minha Casa Minha Vida, perderam fôlego após 2016, deixando o mercado livre para atores privados. O resultado é um cenário em que a casa própria se torna cada vez mais distante para a classe média e os trabalhadores informais, enquanto investidores e fundos ampliam seus portfólios.