curadoria
A obra se revela em um emaranhado de aspereza urbana. O olhar é guiado por linhas que simulam o desgaste do tempo sobre muros. A paleta, desbotada, oscila entre cinzas e sépias, com um vermelho corroído pontual. Elementos tipográficos, fragmentados, emergem como murmúrios: números isolados, símbolos bancários borrados. Vultos indistintos se fundem à textura granular, presenças esquecidas pelo cotidiano. Rasgos de papel sugerem histórias em camadas, ecos de narrativas abandonadas à espera de um olhar persistente.
A técnica, fusão de traços brutos e precisão editorial, evoca a efemeridade da memória coletiva. Cada camada, cada arranhão simulado, cria uma arqueologia visual de negligência e resiliência. A materialidade do concreto, a tinta descascada, o contorno irregular do stencil, falam de uma existência marginalizada, mas persistente. Uma estética da urgência, do 'feito à mão' sob pressão, ressoa com a voz das ruas. A composição caótica, mas intencional, força o observador a montar os pedaços, a preencher os vazios deixados pelo tempo e esquecimento. É uma dança entre o visível e o subentendido.
A obra não reitera os valores da notícia, mas explora visualmente o 'dinheiro esquecido'. Fragmentos numéricos e símbolos bancários, diluídos nas paredes, metaforizam a dificuldade de acesso a um recurso que, por direito, pertence. Figuras indistintas, fundidas ao concreto, representam
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Governo transfere R$ 5,7 bilhões de 'dinheiro esquecido' para o Desenrola 2.0
Brasileiros ainda podem recuperar R$ 4,9 bilhões diretamente dos bancos.
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