curadoria
Ao primeiro olhar, a obra se revela em uma paleta de cores terrosas e profundas, onde o ocre desbotado se mescla ao azul-chumbo, pontuado por manchas vibrantes de vermelho-ferrugem. A composição é dominada por uma linha horizontal, talvez um horizonte ou uma fronteira imaginária, que divide o espaço em planos irregulares. Formas esparsas, reminiscentes de ruínas arquitetônicas ou montanhas erosionadas, emergem da névoa, sugerindo uma desolação contida, um silêncio visual que precede o caos. O olho é guiado por traços que parecem rios secos ou veias expostas, serpenteando por uma terra árida.
A técnica, deliberadamente fragmentada e onírica, evoca a memória de um passado recente e a incerteza do futuro. O surrealismo aqui não é escapismo, mas um espelho distorcido da realidade, onde objetos familiares adquirem novos significados. A superposição de elementos, ora transparentes, ora opacos, sugere camadas de história, de dor e de esquecimento. O traço do artista, muitas vezes áspero e descontínuo, reforça a ideia de algo que foi quebrado e não pode ser completamente reparado. A vibração das cores, embora contida, gera uma tensão latente, uma pulsação silenciosa que insinua a violência que se esconde sob a superfície.
Esta paisagem, embora abstrata, dialoga com a expansão de limites invisíveis, com a travessia de zonas tidas como invioláveis. A presença de elementos que remetem a
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