A traição como espetáculo: o eterno retorno do melodrama
Em 'Quem Ama Cuida', Globo repete fórmula de adultério como motor dramático
O anúncio do triângulo amoroso entre Fábia (Flávia Alessandra), Arthur (Antonio Fagundes) e Ulisses (Alexandre Borges) na novela das nove revela mais uma vez a dependência criativa do melodrama brasileiro em relação ao arquétipo da traição conjugal. A previsibilidade do conflito - descoberta, confronto, vingança - segue o manual não escrito da teledramaturgia desde os tempos de 'Vale Tudo' (1988). O que antes era transgressão hoje é algoritmo narrativo: pesquisas de audiência mostram que o tema gera picos de engajamento, especialmente entre mulheres acima de 35 anos. Enquanto isso, as complexidades do amor contemporâneo - relacionamentos abertos, divórcios sem trauma, novas configurações familiares - continuam banidas do horário nobre. A indústria cultural prefere o déjà-vu à experimentação quando milhões em publicidade estão em jogo.