Agro impulsiona interior e faz produtividade do Brasil mudar de endereço
Enquanto indústria tradicional perde força, agronegócio lidera avanço no Centro-Oeste e Matopiba
A investigação que a matéria não cobriu. Conexões, contexto histórico, fontes extras.
A produtividade brasileira está mudando de endereço, migrando dos tradicionais polos industriais do Sudeste para o interior do país, impulsionada pelo agronegócio. Dados mostram que o agro se tornou o principal motor de eficiência econômica, especialmente no Centro-Oeste e em novas fronteiras agrícolas como o Matopiba (Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia). Enquanto a indústria de transformação perdeu participação no PIB, caindo de 15,7% para 9,8% desde 1995, o agro lidera em produtividade. Entre 2002 e 2019, a produtividade agrícola cresceu 80,1%, contra apenas 5,4% na indústria. Estados como Piauí (+103%), Maranhão (+86%) e Tocantins (+69,7%) lideram esse avanço, enquanto São Paulo (+1,2%) e Rio (+4%) ficam para trás. O agro também irriga outros setores: 70% da produção agrícola abastece a indústria de alimentos, que exportou US$ 33 bilhões no primeiro semestre de 2026, alta de 8,5% em receita. Contudo, a escassez de mão de obra no campo, com 94,8% dos produtores relatando dificuldades, sugere desafios futuros.
A migração da produtividade brasileira para o interior não é casual. O agro se beneficia de uma convergência histórica: a perda de competitividade da indústria tradicional, concentrada no Sudeste, criou um vácuo econômico que o campo ocupou. O avanço sobre novas fronteiras agrícolas, como o Matopiba, é estratégico — essas regiões oferecem terras mais baratas e menos conflitos fundiários que o Centro-Oeste já saturado. A produtividade crescente no agro também mascara uma contradição: enquanto os números avançam, a escassez de mão de obra sugere que o modelo atual pode estar próximo do limite. Os salários no campo subiram 35,2% entre 2022 e 2025, acima da média nacional, mas ainda assim não retêm trabalhadores, que migram para o setor de serviços. O agro brasileiro se tornou um gigante frágil, dependente de exportações e vulnerável a flutuações globais. A mudança de endereço da produtividade é, portanto, tanto uma conquista quanto um alerta sobre os desequilíbrios regionais e setoriais que se aprofundam.