Alcolumbre mantém cargos extras para PDT no Senado
Presidente do Senado flexibiliza regras para beneficiar senadores do PDT, apesar de descumprimento do regimento interno.
O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), tem mantido assessores e salas extras para os senadores do PDT, Weverton Rocha (MA) e Leila Barros (DF), apesar de o partido não ter mais o número mínimo de três senadores exigido pelo regimento interno. Desde o início de março, quando Ana Paula Lobato deixou o PDT para voltar ao PSB, o partido não conseguiu retomar o número necessário de parlamentares. O prazo de três meses para regularizar a situação terminou em 5 de junho, mas os benefícios continuam sendo concedidos. O PDT conta com 19 assessores e um motorista, além de 12 cargos comissionados e outro motorista proporcionados pela estrutura de liderança. Weverton Rocha é um dos senadores mais próximos de Alcolumbre, o que pode explicar a flexibilidade. Questionados sobre o motivo da manutenção dos cargos, Alcolumbre, Weverton e Leila não responderam.
A manutenção dos cargos extras para o PDT por Davi Alcolumbre não é mera cortesia política. Weverton Rocha, um dos senadores beneficiados, é próximo de Alcolumbre, o que sugere uma relação de reciprocidade. O PDT, embora pequeno, pode ser um aliado estratégico em votações delicadas, especialmente num Senado onde coalizões são essenciais. A omissão nas respostas dos envolvidos indica que há um acordo tácito por trás da flexibilização das regras. A estrutura de liderança, com seus cargos comissionados, é um recurso valioso para garantir lealdade e apoio político. O timing também é relevante: com eleições municipais se aproximando, Alcolumbre pode estar buscando consolidar alianças que serão úteis em breve. A manobra revela como as normas internas são maleáveis quando há interesses políticos em jogo.