Candidatos atacam STF mas abraçam Mendonça em cálculo eleitoral
Enquanto Lula evita polêmica, adversários surfam onda anti-Moraes e transformam ministro em símbolo
Candidatos à Presidência aproveitaram os atos do 7 de Setembro para intensificar críticas ao STF, com exceção do presidente Lula. Enquanto Flávio Bolsonaro (PL), Romeu Zema (Novo), Renan Santos (Missão) e Augusto Cury (Avante) reforçaram discursos contra a corte, especialmente direcionados ao ministro Alexandre de Moraes, todos demonstraram apoio ao ministro André Mendonça. Nas redes sociais, a polarização se acentuou, com ataques a Moraes e defesas a Mendonça, que recentemente retirou o sigilo de mensagens entre o ministro e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro. Na avenida Paulista, manifestantes exibiram bonecos infláveis de Mendonça e cantaram seu nome, enquanto a bispa Sônia, da Igreja Renascer em Cristo, fez uma oração por sua proteção. Lula, por outro lado, evitou o tema, mantendo um tom mais institucional ao lado do presidente do STF, Edson Fachin. Aliados petistas admitem preocupação com possíveis respingos eleitorais devido à associação com Moraes.
A estratégia dos presidenciáveis revela um cálculo eleitoral preciso: atacar o STF como instituição, mas poupar Mendonça, figura que virou símbolo de resistência ao que a base bolsonarista chama de 'ativismo judicial'. O timing não é acidental: a retirada do sigilo das mensagens entre Moraes e Vorcaro abriu flanco para críticas, e os candidatos surfam na onda de descontentamento que já mobiliza suas bases. A omissão de Lula é igualmente estratégica — o PT sabe que associar-se a Moraes, alvo preferencial da direita, pode custar votos no centro. O que parece contradição (criticar o STF mas apoiar um de seus ministros) é, na verdade, sintoma de uma disputa maior: a batalha pelo controle da narrativa sobre o Judiciário. Mendonça, aliás, não é mero acaso: seu perfil religioso e histórico de alinhamento com o bolsonarismo o torna peça-chave nesse jogo. Enquanto isso, Fachin assiste ao espetáculo — e o STF, dividido, vê sua crise interna virar combustível para campanhas eleitorais.