As estratégias urbanas do Japão para cidades mais habitáveis
Priorizando funcionalidade e acessibilidade, Osaka e Tóquio lideram ranking global de habitabilidade
As cidades japonesas destacam-se globalmente por sua habitabilidade, ocupando posições de destaque no Índice Global de Habitabilidade da Economist Intelligence Unit. Osaka e Tóquio, respectivamente na sétima e décima posições, são exemplos de centros urbanos que priorizam a funcionalidade no cotidiano dos moradores. A infraestrutura urbana do Japão é projetada para minimizar contratempos, com soluções como redes ferroviárias extensas, estações sem barreiras arquitetônicas e serviços confiáveis que facilitam o deslocamento de todos, desde cadeirantes até pais com carrinhos de bebê. Segundo Josh Grisdale, diretor da plataforma Accessible Japan, o país foi construído para funcionar para todos, com rampas, elevadores e espaços que atendem a múltiplas necessidades. Francis Aguillard, arquiteto especializado em design urbano japonês, ressalta que a habitabilidade está ligada à redução de entraves cotidianos, permitindo que as pessoas realizem suas atividades sem depender de carros. Os 'shotengai', ruas comerciais cobertas com estabelecimentos independentes, são um exemplo dessa filosofia urbana, integrando comércio, residência e serviços em um único espaço.
A ascensão de Osaka e Tóquio no Índice Global de Habitabilidade não é casual — é resultado de uma estratégia urbana que beneficia tanto a população quanto os interesses econômicos do Japão. A infraestrutura projetada para acessibilidade universal reduz custos sociais e aumenta a produtividade, ao facilitar o deslocamento de trabalhadores, idosos e pessoas com deficiência. Essa abordagem também reforça a imagem do Japão como líder em soluções urbanas sustentáveis, atraindo investimentos e turismo. Os 'shotengai', por exemplo, não são apenas espaços comerciais, mas também mecanismos de coesão social e econômica, mantendo a circulação de capital em nível local. No entanto, essa eficiência tem um custo oculto: a padronização urbana pode limitar a diversidade arquitetônica e cultural, além de pressionar pequenos negócios a se adaptarem a um modelo de cidade altamente funcional. Enquanto isso, o Japão se beneficia de uma narrativa global que o posiciona como exemplo de urbanismo, mesmo que isso implique escolhas que não são necessariamente replicáveis em outros contextos culturais e econômicos.