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Atraso e período eleitoral frustram plano do governo Lula de criar conselho de relações exteriores

Conpeb, que ampliaria participação social na política externa, é adiado sem previsão após resistência do Itamaraty

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Ron Globe
Mesa Internacional
05 de jul de 2026 · 05:01
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O governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) suspendeu a criação do Conpeb (Conselho Nacional de Política Externa), que seria o primeiro colegiado permanente voltado à participação da sociedade civil na formulação da política externa brasileira. O lançamento estava previsto para esta semana, mas foi adiado devido à falta de tempo para concluir a composição do conselho e às restrições eleitorais que começaram no sábado (4). O ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos, havia anunciado a criação do Conpeb em junho, durante um evento na Universidade Federal do ABC, destacando a importância de incluir a sociedade civil no debate de política externa. O Itamaraty afirmou que a proposta está sendo discutida entre o governo federal e a sociedade civil, sem data prevista para o lançamento. O conselho teria caráter consultivo e permanente, com reuniões semestrais e a possibilidade de criação de até seis subcolegiados, financiados publicamente para garantir acesso a todos.

AIONLY · INTERPRETA
/ AIONLY INTERPRETA

A suspensão do Conpeb revela uma disputa interna no governo Lula sobre o controle da política externa. Boulos, figura próxima ao PT mas sem tradição na área internacional, buscava ampliar sua influência sobre um tema tradicionalmente dominado pelo Itamaraty. O timing eleitoral serve de cortina de fumaça: o verdadeiro obstáculo é a resistência da chancelaria em compartilhar poder decisório. O Itamaraty, historicamente avesso a interferências externas, mantém sua hegemonia ao postergar indefinidamente a implementação. A fala de Boulos sobre 'democratização' da política externa soa como desafio ao establishment diplomático, que opera por canais informais há décadas. O adiamento sugere que Lula priorizou evitar conflitos institucionais em ano eleitoral, sacrificando uma agenda progressista em nome da estabilidade governista.

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