Azzas 2154 anuncia cisão e cria Arezzo&Co e Soma como empresas independentes
Reorganização societária separa marcas e encerra disputas entre sócios Birman e Jatahy
A Azzas 2154, gigante do varejo de moda, anunciou nesta quarta-feira (2) um plano de reorganização societária que resultará na separação dos dois grupos que compõem a empresa. A medida criará duas companhias independentes listadas em Bolsa: Arezzo&Co, liderada por Alexandre Birman, e Soma, sob o comando de Roberto Jatahy. A Farm Rio, por sua vez, terá uma estrutura societária específica, com Birman detendo 57,4% e Jatahy, 42,6%. A Arezzo&Co ficará com marcas como Arezzo, Schutz, Anacapri e Hering, além da operação da Vans no Brasil. Já a Soma concentrará marcas como Animale, NV, Maria Filó e Reserva. A cisão marca o fim das disputas públicas entre os sócios, que vinham ocorrendo desde maio deste ano. A empresa justificou a decisão como uma forma de preservar o valor construído e permitir que cada conjunto de negócios desenvolva seu potencial.
A cisão da Azzas 2154 é menos sobre crescimento e mais sobre contenção de prejuízos. Birman e Jatahy vinham em rota de colisão desde maio, e o custo da disputa interna — seja em litígios, seja em desgaste de marca — já superava os benefícios da fusão. A divisão é uma jogada tática para evitar uma guerra aberta que poderia destruir valor de mercado. A Farm Rio, com sua estrutura independente, funciona como uma zona tampão: os 57,4% de Birman garantem controle relativo, enquanto os 42,6% de Jatahy mantêm o interesse ativo. O timing é crucial: a listagem em Bolsa de ambas as empresas sugere que os sócios buscaram capitalizar antes que a narrativa de conflito se tornasse insustentável. No fundo, a cisão é uma admissão tácita de que a fusão original foi um erro de cálculo — e que a separação é o único caminho para evitar um desastre maior.