Benito Di Paula: o pianeiro que reinventou o samba
Artista que flertou com o pop sem abandonar as raízes musicais brasileiras morre aos 84 anos em São Paulo
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Benito Di Paula sempre recusou o rótulo de sambista. Preferia se definir como sambeiro pianeiro, título que reflete sua assinatura musical singular. Morto aos 84 anos em São Paulo, o artista consolidou nos anos 1970 uma fórmula que misturava piano percussivo, arranjos pop e letras confessionais — mistura que, em retrospecto, antecipou o pagode paulista dos anos 1990. Nascido Uday Velloso em Nova Friburgo (RJ), construiu uma persona marcante: colares, casacas e cabelos cacheados que deslocavam a imagem tradicional do samba. Sua carreira fonográfica teve início em 1967, mas foi entre 1973 e 1977 que estabeleceu seu reinado, com clássicos como “Retalhos de Cetim” e “Charlie Brown”. Na Copacabana, gravadora que o lançou ao estrelato, Benito produziu uma obra que dialogava tanto com Ataulfo Alves quanto com os novos tempos da indústria fonográfica. Mais que um sambista, foi um tradutor musical que abriu novos caminhos para a música brasileira.