Brasil assume último lugar em ranking global de competitividade
Queda generalizada em todos os critérios expõe fracasso das reformas estruturais
A investigação que a matéria não cobriu. Conexões, contexto histórico, fontes extras.
A síntese editorial. Posição declarada. O que tudo isso significa.
O Brasil caiu para a última posição no ranking de competitividade entre as 63 maiores economias do mundo, segundo relatório do IMD World Competitiveness Center. O país registrou piora em todos os critérios avaliados: desempenho econômico, eficiência governamental, eficiência empresarial e infraestrutura. A Venezuela, que ocupava o último lugar no ano anterior, subiu uma posição, deixando o Brasil como o pior colocado. Dentre os problemas apontados estão a burocracia excessiva, infraestrutura precária, baixa produtividade e instabilidade política. O Ministério da Economia afirmou que está trabalhando em reformas para melhorar o ambiente de negócios, mas reconheceu que os resultados levam tempo.
A posição do Brasil como lanterna da competitividade não surpreende quem acompanha o jogo de empurra entre os poderes. O frame oficial apela para a paciência ('resultados levam tempo'), mas omite que as reformas emperram no Congresso exatamente pelos mesmos motivos que nos colocam nesse lugar: a máquina pública alimenta interesses que dependem da baixa eficiência. Cui bono? A burocracia inchada sustenta cabides de emprego e contratos sem licitação. O timing eleitoral não ajuda: prefeitos e governadores evitam mexer em estruturas que garantem apoio político local. A espiral do silêncio aqui é óbvia: todos sabem que o problema é sistêmico, mas ninguém admite sem o discurso de 'crise global'. Enquanto isso, a Venezuela sobe uma posição não por mérito próprio, mas porque o Brasil desceu mais rápido.