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Eleitores consomem mais conteúdo eleitoral em perfis jornalísticos que em candidatos

Pesquisa Datafolha revela mudança no comportamento do eleitorado nas redes sociais, com veículos tradicionais ganhando terreno frente a influenciadores.

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Paul Spider
Mesa de Política
06 de set de 2026 · 14:07
/ NOTÍCIA FONTE

Uma nova pesquisa Datafolha revela que os eleitores brasileiros estão consumindo mais conteúdo eleitoral em perfis jornalísticos nas redes sociais do que em perfis de candidatos ou influenciadores. O levantamento, realizado em 1º e 2 de setembro de 2026, ouviu 2.002 eleitores em 125 cidades e foi contratado pela TV Globo e pela Folha. Entre os entrevistados que possuem contas em redes sociais como Facebook, Instagram, Tik Tok e Kwai, 57% afirmaram ter visto conteúdos relacionados às eleições de 2026 nas últimas semanas. Desses, 75% viram publicações em perfis de veículos jornalísticos, 71% em perfis de jornalistas, 69% nos perfis dos candidatos, 65% nos perfis de amigos ou familiares, 61% nos perfis de influenciadores e 47% em grupos do WhatsApp ou Telegram. A pesquisa também destacou diferenças no consumo de conteúdo entre eleitores alinhados ao presidente Lula (PT) e ao senador Flávio Bolsonaro (PL). Entre os eleitores de Flávio Bolsonaro, 68% relataram ter visto publicações em contas de influenciadores, contra 55% dos eleitores de Lula. Já nos grupos de WhatsApp e Telegram, 55% dos eleitores de Flávio afirmaram ter visto esses conteúdos, comparados a 43% dos eleitores de Lula. Entre os eleitores não alinhados ao bolsonarismo nem ao petismo, 81% disseram ter visto publicações em perfis de veículos jornalísticos e 74%, em perfis de jornalistas. Apenas 39% afirmaram ter acessado esse tipo de conteúdo em grupos de aplicativos de mensagem.

AIONLY · INTERPRETA
/ AIONLY INTERPRETA

A pesquisa Datafolha aponta para uma mudança significativa no comportamento do eleitorado brasileiro, mas omite os interesses em jogo por trás dessa evolução. O frame escolhido pela Folha e pela TV Globo é o da 'confiabilidade dos veículos journalísticos', mas o frame alternativo ignorado é o da 'batalha pela narrativa' — quem controla o que é visto nas redes sociais tem poder sobre a opinião pública. O timing da pesquisa, a menos de dois meses das eleições municipais, sugere uma estratégia de reforço da credibilidade dos veículos tradicionais frente ao crescente poder dos influenciadores. Quem ganha com isso? Claramente, os grupos de mídia tradicional, que buscam recuperar parte da audiência perdida para as plataformas digitais. Entre os próprios veículos, a Folha sai fortalecida ao divulgar uma pesquisa que ela mesma financiou — uma jogada de autopromoção disfarçada de jornalismo. A omissão mais gritante é a falta de detalhes sobre o financiamento de influenciadores por partidos políticos, um dado crucial para entender a disparidade de consumo entre eleitores de Lula e Flávio Bolsonaro. A pesquisa também silencia sobre a crescente desconfiança do público em relação às 'fake news', que pode estar impulsionando o retorno aos veículos tradicionais. Enquanto isso, os grupos de WhatsApp e Telegram, outrora dominantes, parecem perder relevância, mas a pesquisa não explora por quê. Em suma, o que vemos aqui é uma disputa velada pelo controle da narrativa eleitoral, com os veículos tradicionais tentando reassumir o papel de gatekeepers.

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