Chefe de Gabinete de Milei renuncia após escândalo por enriquecimento ilícito
Manuel Adorni deixa o cargo após investigação judicial e omissão de US$ 500 mil em declarações juradas.
Manuel Adorni, chefe de Gabinete da presidência argentina, renunciou ao cargo neste sábado, após meses de investigação judicial por suposto enriquecimento ilícito. Em carta publicada nas redes sociais e dirigida ao presidente Javier Milei, Adorni afirmou que vem sofrendo com 'ataques midiáticos intermináveis' e negou irregularidades. A Justiça federal analisou viagens ao exterior, aquisições imobiliárias e reformas em imóveis em nome de Adorni para verificar se havia compatibilidade com a renda declarada. O ex-ministro ficou mais exposto após reconhecer que omitiu cerca de US$ 500 mil em suas declarações juradas. Segundo ele, o valor teria origem em investimento em bitcoin: Adorni afirmou ter aplicado US$ 200 mil e obtido outros US$ 300 mil de ganhos entre 2014 e 2018. O governo ainda não anunciou substituto. A imprensa argentina cita o ministro do Interior, Diego Santilli, como um possível nome para o cargo.
A renúncia de Adorni é menos sobre ética e mais sobre timing político. Milei, que chegou ao poder prometendo combater a corrupção, não pode se dar ao luxo de manter um ministro sob investigação, especialmente em um ano eleitoral crucial. O caso Adorni serve como cortina de fumaça para desviar a atenção de reformas impopulares que o governo vem implementando. O fato de o ministro do Interior, Diego Santilli, ser cotado como substituto não é coincidência: Santilli tem um perfil mais técnico e menos exposto, ideal para um governo que precisa recuperar credibilidade. O silêncio sobre a origem dos US$ 500 mil omitidos nas declarações juradas de Adorni é sintomático: enquanto o foco está nas criptomoedas, outras possíveis fontes de renda ilícita ficam de fora do radar. A renúncia é um movimento calculado para evitar que o escândalo ganhe proporções maiores e comprometa a imagem de Milei.