Concessão da Rota Mogiana em SP movimenta R$ 9,4 bi em 30 anos
Consórcio vence leilão com outorga de R$ 1,084 bilhão e promete redução de pedágios
A investigação que a matéria não cobriu. Conexões, contexto histórico, fontes extras.
O consórcio Rota Mogiana, formado por Azevedo & Travassos e Quimassa Infraestrutura, assinou contrato de concessão de 520 quilômetros de rodovias no interior de São Paulo com o governo estadual. O acordo prevê investimentos de R$ 9,4 bilhões ao longo de 30 anos, beneficiando 2,3 milhões de pessoas em 22 municípios. O leilão foi realizado em fevereiro, com vitória do consórcio que ofereceu outorga fixa de R$ 1,084 bilhão, superando concorrentes como a Motiva, maior operadora de rodovias do país. As obras incluem duplicação de trechos, implantação de faixas adicionais, passarelas e modernização da sinalização. O contrato estabelece redução de até 29% nos pedágios em algumas praças e adoção do sistema free flow de cobrança automática.
A concessão da Rota Mogiana revela um realinhamento estratégico no mercado de infraestrutura paulista. A derrota da Motiva, atual gestora de parte do trecho, indica uma mudança no tabuleiro - empresas médias com acesso a capital paciente estão desbancando gigantes consolidados. Os R$ 1,084 bilhão de outorga sugerem pressa do governo em gerar caixa imediato, trocando receita futura por alívio fiscal no curto prazo. O timing é revelador: assinatura em agosto, após homologação em março, coincide com o ciclo de planejamento orçamentário para 2027. Os 22 municípios beneficiados formam um corredor eleitoral relevante para 2028, quando Tarcísio de Freitas possivelmente buscará reeleição. O free flow, embora moderno, transfere custos de operação para usuários não cadastrados - eficiência tem preço.