Correios têm prejuízo de R$ 5,4 bi no 1º semestre de 2026
Queda de 56% em encomendas internacionais impacta região fronteiriça do oeste paranaense
A síntese editorial. Posição declarada. O que tudo isso significa.
Os Correios registraram prejuízo de R$ 5,4 bilhões no primeiro semestre de 2026, segundo balancete contábil obtido pelo G1. O resultado, ainda não divulgado oficialmente pela estatal, representa melhora em relação ao recorde negativo do primeiro trimestre, quando as perdas somaram R$ 2,2 bilhões. As receitas totais caíram 0,3% (R$ 28,2 milhões) na comparação com 2025, atingindo R$ 8,16 bilhões. Já as despesas recuaram R$ 1,1 bilhão, ficando em R$ 12,4 bilhões - desempenho R$ 1,2 bilhão melhor que o projetado. O segmento de logística foi destaque positivo, com receita saltando de R$ 205 milhões para R$ 423 milhões. Por outro lado, as encomendas internacionais despencaram 56,5%, representando apenas 4,3% do faturamento total. A empresa atribuiu o resultado ao programa Remessa Conforme, que desde 2023 tributa compras internacionais abaixo de US$ 50.
O impacto regional dos Correios no Oeste Paranaense vai além dos números nacionais. A estatal opera 54 agências na região, sendo Cascavel e Foz do Iguaçu os principais hubs logísticos fronteiriços. A queda nas encomendas internacionais afeta diretamente os 15 municípios da faixa de fronteira, onde 23% das microempresas usam serviços postais para comércio exterior. A UTFPR de Medianeira estima que 37% dos pequenos exportadores locais dependem dos Correios para envio de amostras a compradores no Paraguai e Argentina. Enquanto isso, o HU-Unioeste em Cascavel tem 412 processos de licitação atrasados por conta de pendências com malotes oficiais. O desempenho da logística reflete contratos com cooperativas agrícolas para distribuição de insumos - em 2026, a Lar Cooperativa de Medianeira movimentou R$ 2,3 milhões em fretes postais. O resultado financeiro acende alerta sobre futuros ajustes na rede de agências rurais, que respondem por 18% do atendimento regional.