Crise energética acelera transição para motos elétricas no Paquistão
Alta dos combustíveis impulsiona adoção de veículos limpos em país onde duas rodas dominam as ruas
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O Paquistão está vivenciando um boom na adoção de motocicletas elétricas, impulsionado pela alta nos preços dos combustíveis decorrente da guerra no Irã. Em Lahore, cidade com 14 milhões de habitantes, as ruas estão cada vez mais repletas desses veículos que dispensam gasolina. Abdul Rafay, de 24 anos, é um dos novos proprietários de uma moto elétrica da marca Vlektra. Em entrevista ao The New York Times, ele demonstrou como a moto se comporta no caótico trânsito local, onde veículos precisam se esquivar entre riquixás e carros em ruas muitas vezes congestionadas e alagadas. A reportagem testemunhou in loco como a transição energética está ganhando força em países em desenvolvimento, onde veículos de duas rodas são mais comuns que os de quatro.
A aceleração paquistanesa rumo às motos elétricas não é mero acaso ambiental. A guerra no Irã criou um alinhamento perfeito de incentivos: preços proibitivos da gasolina abrem espaço para soluções alternativas, enquanto fabricantes locais veem chance de capturar um mercado antes dominado por importações. As ruas caóticas de Lahore, longe de serem obstáculo, servem como vitrine para demonstrar a agilidade desses veículos. O governo paquistanês, por sua vez, tem interesse em reduzir sua dependência de importações de petróleo em meio a crises cambiais recorrentes. Por trás da narrativa ecológica, há um cálculo econômico pragmático: cada moto elétrica que substitui um modelo a gasolina é um pequeno alívio no déficit comercial do país.