Crise no STF revela guerra política por trás de mensagens vazadas
Mendonça usa caso Master para atacar Moraes no auge da campanha eleitoral
O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou a quebra de sigilo das conversas entre o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do caso Master, e o ministro Alexandre de Moraes. A medida expôs publicamente a divisão interna no STF em meio às eleições presidenciais de 2026. Mendonça, indicado por Jair Bolsonaro em 2021, assumiu a relatoria do caso após a suspeição de Dias Toffoli, que teria recebido benefícios de Vorcaro. As mensagens reveladas mostram diálogos entre Vorcaro e Moraes, cuja esposa tinha contrato com o Banco Master. O procurador-geral da República, Paulo Gonet, defende a nulidade da investigação, alegando que Mendonça agiu como juiz de instrução ao investigar ilegalmente um colega. O plenário do STF agora decide se a medida foi tomada para preservar as regras de investigação ou se houve abuso de poder.
A crise no STF não é sobre sigilos quebrados, mas sobre contas a acertar. Mendonça, bolsonarista histórico e alvo de Moraes no processo de condenação do ex-presidente, escolheu o timing eleitoral para desferir o golpe. A espiral do silêncio no Supremo sempre soube dos contratos da esposa de Moraes com o Banco Master, mas ninguém ousava puxar o fio. O frame oficial fala em 'preservação das regras', mas o frame oculto é vingança política. Cui bono? O principal beneficiário é a oposição a Lula, que ganha um escândalo judicial no auge da campanha. A omissão mais gritante: por que Fachin, presidente do STF, indicou justamente Mendonça para o caso? O histórico de Fachin como ponte entre o centrão e o judiciário sugere que a bomba foi armada com precisão cirúrgica. O que parece caos institucional é cálculo eleitoral em cadeia.