Daniel Lopes tece diálogos musicais entre épocas e tecnologias em álbum experimental
Em 'Já que veio, fica para dançar', compositor une Noel Rosa, Fausto Fawcett, Jorge Vercillo e inteligência artificial em colagem sonora que desafia fronteiras temporais
O álbum 'Já que veio, fica para dançar', de Daniel Lopes, opera como uma máquina do tempo musical. Em sua faixa de encerramento, o produtor carioca recicla a gravação original de 'Com que roupa?', samba de Noel Rosa de 1930, criando um diálogo quase centenário. A obra, produzida entre Lisboa e o Rio de Janeiro, usa ferramentas de inteligência artificial de forma peculiar: enquanto arranjos digitais sustentam 'Amor, mistério e dor', vemos o icônico Fausto Fawcett ressurge como uma entidade cibernética em 'Eclipse total'. O projeto não se limita ao experimentalismo tecnológico - apresenta colaborações orgânicas com Anna Ratto, Lia Sabugosa e Jorge Vercillo, além de uma ponte geracional entre Moacir Silva e seu neto Jorge Ailton. Lopes, que já liderou a banda Reverse e integrou o trio Les Pop, continua sua trajetória como arquiteto de encontros musicais improváveis, onde o passado e o futuro dançam ao som do presente.