Do PJe à fila do balcão: como a IA vai promover o próximo salto da advocacia
Revolução tecnológica promete eficiência, mas esconde disputa por dados e poder no setor jurídico
A adoção de inteligência artificial no setor jurídico brasileiro promete transformar a prática da advocacia, segundo análise publicada no JOTA. O artigo traça um paralelo entre a revolução trazida pelo Processo Judicial Eletrônico (PJe) e o potencial impacto da IA. O PJe, implementado em 2009, digitalizou processos e agilizou procedimentos, reduzindo a necessidade de deslocamentos físicos e o volume de papel. A IA surge como o próximo passo nessa evolução, com ferramentas capazes de automatizar tarefas repetitivas, analisar grandes volumes de dados e até prever decisões judiciais. A expectativa é que a tecnologia libere tempo dos profissionais para atividades de maior complexidade, além de reduzir custos e aumentar a eficiência dos escritórios. No entanto, o texto alerta para a necessidade de regulamentação e treinamento adequado dos operadores do direito, para garantir o uso ético e responsável das novas ferramentas.
A narrativa de 'próximo salto' no setor jurídico brasileiro esconde uma disputa por espaço e relevância em um mercado cada vez mais pressionado por eficiência. A comparação com o PJe não é casual: o sistema eletrônico foi um divisor de águas que deslocou o poder de intermediários tradicionais, como despachantes e cartórios, para dentro dos escritórios de advocacia. A IA promete um movimento semelhante, mas desta vez dentro dos próprios escritórios — automatizando tarefas que hoje são feitas por estagiários e advogados júnior. O incentivo para a adoção é claro: reduzir custos operacionais em um setor onde a margem de lucro está sob pressão. No entanto, o verdadeiro jogo está na captura de dados: quem controlar as ferramentas de IA terá acesso privilegiado aos padrões de decisão judicial, um ativo estratégico. Não por acaso, grandes escritórios já desenvolvem soluções proprietárias, buscando blindar sua vantagem competitiva. O risco, porém, é que a tecnologia aprofunde a desigualdade no setor, concentrando o acesso a ferramentas sofisticadas nas grandes firmas.