Eleições no Peru e na Colômbia podem consolidar 'círculo de fogo' pró-Trump em torno do Brasil
Vitória da direita nos dois países aumentaria pressão sobre o governo Lula, segundo analistas.
Peru e Colômbia realizam eleições presidenciais neste mês de junho, com potencial de inclinar o mapa político da América Latina para uma direita alinhada ao governo de Donald Trump nos Estados Unidos. No Peru, a direitista Keiko Fujimori, filha do ex-presidente Alberto Fujimori, condenado por violações de direitos humanos, enfrenta Roberto Sánchez, ex-ministro do destituído Pedro Castillo. Na Colômbia, o ex-guerrilheiro Gustavo Petro, primeiro presidente de esquerda do país, eleito em 2022, terá como adversário De La Espriella. Analistas apontam que uma vitória da direita nesses países pode consolidar um 'círculo de fogo' pró-Trump em torno do Brasil, aumentando a pressão sobre o governo Lula. Por outro lado, se a esquerda vencer, o Planalto pode sentir algum alívio, mas o cenário já é complicado para o Brasil, segundo Carolina Silva Pedroso, pesquisadora da Unesp.
As eleições no Peru e na Colômbia ocorrem num momento de realinhamento geopolítico na América Latina, com os EUA buscando consolidar uma frente direitista na região. A vitória de Fujimori e De La Espriella fortaleceria este projeto, criando um 'círculo de fogo' pró-Trump ao redor do Brasil. A estratégia é clara: isolar o governo Lula, reduzindo sua influência regional e pressionando o país a aderir a uma agenda mais alinhada aos interesses norte-americanos. Mesmo que a esquerda vença, o cenário para o Brasil permanece complicado, com a perda de aliados importantes e a crescente influência da direita na região. O timing das eleições não é casual: ocorrem num momento de fragilidade política do governo Lula, que enfrenta desafios internos e externos. A região está sendo palco de uma disputa geopolítica entre EUA e China, com o Brasil no centro deste jogo de poder.