EUA e Arábia Saudita firmam acordo nuclear que preocupa Israel
Parceria de 30 anos ignora demandas de Tel Aviv e pode acirrar rivalidades regionais.
Os Estados Unidos e a Arábia Saudita anunciaram nesta quarta-feira (22) um acordo histórico de cooperação nuclear para fins civis. O secretário de Energia americano, Chris Wright, e o ministro saudita, príncipe Abdulaziz bin Salman, assinaram o pacto, que inclui salvaguardas para garantir o uso pacífico da tecnologia. O acordo, avaliado em dezenas de bilhões de dólares, prevê uma parceria de 30 anos, com empresas americanas liderando o desenvolvimento da infraestrutura nuclear saudita, excluindo competidores como Rússia e China.
O Departamento de Energia dos EUA destacou que o acordo promove objetivos econômicos e estratégicos, incluindo a não proliferação nuclear. No entanto, o anúncio gerou preocupação em Israel, que teme uma corrida armamentista na região. A Arábia Saudita poderá enriquecer seu próprio combustível nuclear, algo que surpreendeu Israel, que mantém um programa nuclear militar não declarado.
O governo de Joe Biden havia condicionado a cooperação nuclear saudita à normalização das relações com Israel, mas o acordo assinado sob a administração Trump ignora essa demanda. Analistas apontam que o pacto pode incentivar outros países, como a Turquia, a avançar em seus próprios programas nucleares, ampliando as tensões regionais.
O acordo nuclear EUA-Arábia Saudita é menos sobre energia e mais sobre reposicionamento geopolítico. A administração Trump, em seus últimos meses, busca consolidar uma aliança estratégica com Riad, ignorando pressões de Israel. Ao garantir controle americano sobre o enriquecimento de urânio saudita, os EUA tentam evitar que a Rússia ou a China assumam esse papel, algo que seria uma derrota estratégica.
Para a Arábia Saudita, o acordo é uma vitória diplomática e tecnológica, permitindo diversificar sua matriz energética e reduzir dependência de petróleo. No entanto, o timing é suspeito: a assinatura ocorre após o fim do cessar-fogo entre EUA e Irã, sugerindo uma tentativa de fortalecer Riad como contrapeso a Teerã.
Israel, por sua vez, vê seu papel regional diminuir. A capacidade de Washington ignorar suas preocupações indica uma mudança na dinâmica de poder. O acordo pode acirrar rivalidades regionais, especialmente com Turquia, que já busca autonomia nuclear. A corrida armamentista no Oriente Médio parece inevitável, com o risco de desestabilização aumentando.