Embaixadora perde visto e tensão reacende: veja a linha do tempo da crise entre Brasil e EUA
Crise diplomática entre os dois países ganha novo capítulo com revogação de visto e visita de Flávio Bolsonaro a Washington.
A crise diplomática entre Brasil e Estados Unidos intensificou-se nesta terça-feira (4), com o governo Donald Trump anunciando a revogação do visto da embaixadora do Brasil em Washington, Maria Luiza Ribeiro Viotti. O Departamento de Estado justificou a medida como um ato de "tratamento recíproco", em resposta à demora do governo brasileiro em conceder o agrément a Daniel Perez, indicado para a embaixada dos EUA em Brasília. A decisão ocorre dez dias após o Itamaraty negar vistos a dois enviados americanos ao Brasil.
As relações bilaterais já vinham enfrentando tensões desde julho de 2025, quando Trump anunciou tarifas sobre produtos brasileiros, citando uma "caça às bruxas" contra o ex-presidente Jair Bolsonaro. Embora negociações tenham amenizado parte dos atritos, novos desentendimentos surgiram em 2026, envolvendo segurança pública, comércio, eleições e diplomacia.
Em 7 de maio de 2026, Lula foi recebido por Trump na Casa Branca em um encontro de três horas, classificado como positivo por ambos. Na pauta, estavam temas como relações econômicas, disputas comerciais e a reforma do Conselho de Segurança da ONU. No entanto, questões que posteriormente gerariam atritos, como a classificação de facções brasileiras como grupos terroristas, ficaram de fora.
Menos de três semanas depois, Flávio Bolsonaro visitou Washington, onde discutiu com Trump a classificação do PCC e do Comando Vermelho como organizações terroristas, além de temas como liberdade de expressão nas redes sociais e combate ao crime organizado. O encontro foi visto pelo governo Lula como uma tentativa de aproximação entre o bolsonarismo e a Casa Branca.
A revogação do visto da embaixadora brasileira nos EUA é um movimento calculado em um jogo de xadrez diplomático que reflete a estratégia de "America First" de Trump. O timing da medida, dez dias após a negação de vistos a enviados americanos, sugere uma resposta proporcional, mas também um reforço da política de reciprocidade dura que caracteriza a administração Trump.
O agravamento das tensões bilaterais desde 2025, com tarifas comerciais e acusações de "caça às bruxas", revela um alinhamento estratégico entre Trump e o bolsonarismo, que pode estar sendo mantido mesmo após a mudança de governo no Brasil. A visita de Flávio Bolsonaro a Washington, articulada por Eduardo Bolsonaro, indica uma continuidade dessa aliança, agora focada em temas de segurança pública e combate ao crime organizado.
A reunião entre Lula e Trump em maio de 2026, embora positiva na superfície, deixou de fora questões sensíveis que poderiam exacerbar os atritos. A criação de um grupo de trabalho bilateral sugere uma tentativa de gerenciar os conflitos comerciais, mas a omissão de temas como a classificação de facções brasileiras como grupos terroristas indica que ambos os lados estão evitando confrontos diretos.
A revogação do visto da embaixadora brasileira pode ser interpretada como um sinal de que os EUA estão dispostos a aumentar a pressão sobre o Brasil em áreas onde os interesses americanos não estão sendo atendidos. Essa medida, juntamente com a visita de Flávio Bolsonaro, sugere que a Casa Branca está explorando divisões internas no Brasil para avançar sua agenda de segurança e comércio.