Europa critica programa de regularização de imigrantes da Espanha
Bloco elogia gestão da crise em Ceuta, mas vê política espanhola como risco para controle migratório
A União Europeia realizou uma reunião de emergência para discutir a crise em Ceuta, território espanhol no norte da África. Embora tenha expressado solidariedade à Espanha, o bloco criticou o programa de regularização de imigrantes do governo Pedro Sánchez. Magnus Brünner, chefe de imigração da Comissão Europeia, afirmou que a política espanhola 'não é um bom sinal para o resto da Europa', destacando que ela pode estimular a imigração ilegal.
O programa espanhol, anunciado no primeiro semestre de 2026, já recebeu mais de um milhão de inscrições e visa regularizar a residência de imigrantes, principalmente latino-americanos. No entanto, não contempla imigrantes irregulares que chegaram sem visto. A iniciativa foi vista como uma resposta à falta de mão de obra e à crise demográfica que assolam o país e a Europa.
Uma carta assinada por 22 países europeus no fim de semana sugeriu que a crise em Ceuta foi uma consequência direta da política de Sánchez. Apenas Irlanda, França, Portugal e Luxemburgo não assinaram o manifesto. Brünner ressaltou que, apesar de a Espanha ter agido de forma exemplar na crise, sua política poderá ser usada como justificativa para o endurecimento das políticas migratórias no bloco.
O programa de regularização de imigrantes da Espanha expõe uma fissura estratégica dentro da UE. Enquanto Sánchez busca solucionar problemas domésticos — falta de mão de obra e crise demográfica —, sua política colide com os interesses de países como Itália e Dinamarca, que temem um efeito dominó de migração ilegal. A crítica de Brünner, embora cautelosa, revela a tensão entre a necessidade de mão de obra e a pressão política por controle fronteiriço.
A carta assinada por 22 países é um sinal claro de que a política espanhola é vista como uma ameaça ao equilíbrio migratório europeu. A ausência de Irlanda, França, Portugal e Luxemburgo na lista de signatários sugere uma divisão ideológica dentro do bloco, com nações mais progressistas optando por não se alinhar à crítica coletiva.
O timing da crise em Ceuta, coincidindo com o programa de regularização, não é acidental. Países críticos aproveitam o momento para pressionar por políticas mais duras, como a criação de 'centros de retorno' fora das fronteiras da UE. A Espanha, embora elogiada por sua gestão da crise, acabará servindo como justificativa para o endurecimento das políticas migratórias no bloco.