Enap planeja levar CNU para carreiras estaduais em próxima edição
Expansão do concurso unificado ocorre em ano eleitoral para governadores
A presidente da Escola Nacional de Administração Pública (Enap), Betânia Lemos, anunciou em entrevista ao JOTA que a instituição estuda expandir o Concurso Nacional Unificado (CNU) para incluir carreiras estaduais em sua próxima edição. O CNU, lançado em 2023, unificou pela primeira vez a seleção para cargos federais em um único processo seletivo. Lemos destacou que a medida visa ampliar oportunidades e padronizar a qualidade dos servidores públicos em todo o país. A presidente também falou sobre a necessidade de modernizar as competências exigidas nos concursos, com foco em habilidades digitais e capacidade de inovação. A Enap não divulgou prazos concretos para a implementação da expansão, que ainda está em fase de estudos e negociações com os estados.
A expansão do CNU para os estados não é apenas uma questão de eficiência administrativa. Os governadores, muitos em ano eleitoral, ganham um trunfo para mostrar capacidade de gerar empregos sem custos diretos aos cofres estaduais. A Enap, por sua vez, fortalece seu papel centralizador na gestão pública, justificando orçamentos e relevância política. O timing é curioso: a proposta surge quando o governo federal precisa recompor bases estaduais após derrotas no Congresso. Os incentivos convergem para um jogo de aparências onde todos ganham - menos talvez o servidor, que vê seu concurso transformado em moeda de barganha política. O silêncio sobre os critérios de adesão dos estados e o financiamento do processo fala mais alto que o discurso de modernização.