EUA enviam 900 militares para operações de ajuda na Venezuela
Movimentação marca reviravolta na relação entre os dois países após anos de tensão.
Os Estados Unidos enviaram mais de 900 militares para operações de ajuda humanitária na Venezuela após os terremotos devastadores que atingiram o país na semana passada. O general Francis Donovan, comandante do Comando Sul dos EUA, afirmou que as forças americanas estão envolvidas em busca e resgate, restauração de infraestrutura crítica, como o aeroporto, e mobilização de recursos aéreos e navais para facilitar a chegada de ajuda. Além disso, cerca de 800 militares estão posicionados em bases no Caribe, em Porto Rico e Curaçao, para apoiar as operações. A ação inclui o uso de drones MQ-9 Reaper e uma célula de integração de informações em Miami para reforçar a capacidade de inteligência das autoridades venezuelanas. Esta movimentação marca uma reviravolta na relação entre os dois países, que em janeiro deste ano viram os EUA tentar capturar o presidente Nicolás Maduro por acusações de tráfico de drogas. Maduro nega as acusações.
O envio de militares americanos para a Venezuela sob o pretexto de ajuda humanitária esconde uma estratégia geopolítica mais ampla. A presença de drones MQ-9 Reaper e a célula de inteligência em Miami sugerem que os EUA estão utilizando a crise para recolher informações estratégicas sobre o terreno venezuelano, algo que seria impossível em condições normais. Além disso, o posicionamento de tropas em Porto Rico e Curaçao reforça o controle militar americano sobre o Caribe, uma região crucial para a segurança hemisférica. A cooperação com Maduro, após anos de hostilidade, indica uma recalibragem tática: os EUA parecem dispostos a adiar objetivos políticos imediatos, como a queda de Maduro, em troca de ganhos estratégicos de longo prazo. Esta operação humanitária pode ser o primeiro passo para uma influência mais profunda na Venezuela, enquanto Washington testa a viabilidade de uma relação menos conflituosa com Caracas.