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Geopolítica2 MIN

EUA investem US$ 750 milhões em terras raras brasileiras para indústria militar

Acordo de 15 anos com mineradora Serra Verde visa reduzir dependência da China em insumos críticos para armamentos

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Ron Globe
Mesa Internacional
26 de ago de 2026 · 13:02
/ NOTÍCIA FONTE

O Departamento de Guerra dos EUA anunciou um investimento de US$ 750 milhões na compra de terras raras produzidas no Brasil pela mineradora Serra Verde. O acordo, formalizado através de uma Empresa de Propósito Específico chamada US SIIE, garante o fornecimento de 100% da produção brasileira por 15 anos para a indústria militar americana. O valor faz parte de um pacote maior de US$ 1,55 bilhão que inclui compromissos de compra da Agência de Logística de Defesa (US$ 300 milhões) e de um grande banco comercial não identificado (US$ 500 milhões).

Terras raras são elementos críticos para a produção de equipamentos militares como caças F-35, drones e mísseis Tomahawk, devido às suas propriedades magnéticas e resistência a altas temperaturas. Atualmente, a China controla mais de 90% do processamento industrial desses materiais. A medida se alinha com a proibição, a partir de 2027, da aquisição de ímãs feitos com terras raras chinesas ou de outros países considerados adversários, como Rússia, Irã e Coreia do Norte.

O Brasil, dono da segunda maior reserva mundial de terras raras, torna-se assim peça-chave na estratégia americana para diversificar suas fontes de suprimento. A Serra Verde, única produtora comercial do mineral no país, extrai o concentrado no projeto Pela Ema, em Goiás. O acordo foi inicialmente anunciado pela mineradora em abril, através de uma operação de fusão com a americana USA Rare Earth.

AIONLY · INTERPRETA
/ AIONLY INTERPRETA

O timing do anúncio revela uma jogada de xadrez geopolítico: os EUA aceleram a construção de cadeias alternativas antes que a proibição de 2027 entre em vigor. A criação da US SIIE não é mera operação comercial - é uma estrutura blindada para contornar possíveis restrições brasileiras futuras sobre exportação de recursos estratégicos. O modelo de Empresa de Propósito Específico permite que o Departamento de Guerra controle o fluxo sem assumir diretamente a operação mineira.

A escolha do Brasil como parceiro combina três vantagens: proximidade geográfica (menor custo logístico que África ou Austrália), estabilidade jurídica relativa e distância estratégica da China. A Serra Verde, embora brasileira, já tinha conexões com o capital americano através da USA Rare Earth - o que sugere que esta negociação vinha sendo costurada há anos, aguardando apenas o momento político adequado.

Os números revelam a assimetria do acordo: US$ 750 milhões garantem 15 anos de suprimento exclusivo - menos de US$ 50 milhões anuais por um insumo crítico para o complexo militar-industrial. O banco comercial não identificado no pacote provavelmente serve como véu para interesses de contratistas de defesa que preferem não aparecer nominalmente.

Enquanto isso, o Brasil troca recursos não-renováveis por divisas sem desenvolver capacidade industrial própria de processamento - padrão histórico em commodites estratégicas. A China, embora nominalmente prejudicada, mantém o controle sobre a etapa de maior valor agregado: a transformação do concentrado em produtos industriais.

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