EUA lançam iniciativa global contra 'terrorismo de extrema esquerda'
Marco Rubio lidera esforço internacional que inclui Brasil, mas país opta por não participar.
O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, lançou nesta quinta-feira (16) uma iniciativa global de combate ao 'terrorismo de extrema esquerda'. Durante a conferência Ministerial sobre o Ressurgimento do Terrorismo Político em Washington, Rubio afirmou que a violência atribuída a grupos de esquerda foi negligenciada nos últimos anos, enquanto a ameaça da militância islâmica foi reduzida. Ele destacou a necessidade de identificar e mapear essa ameaça transnacional, que teria como alvos políticos e infraestruturas, motivada pelo 'ódio ao Ocidente e ao seu sucesso'. Entre os países convidados estava o Brasil, que decidiu não enviar representante. Organizações de defesa das liberdades civis alertaram para o risco de classificar grupos de protesto legítimos como terroristas. O evento é parte de uma estratégia mais ampla, com um segundo encontro planejado na Alemanha.
A iniciativa liderada por Rubio sinaliza uma guinada estratégica dos EUA no cenário geopolítico pós-eleição de 2024. O foco no 'terrorismo de extrema esquerda' serve a dois propósitos: consolidar a narrativa doméstica de segurança nacional após o assassinato de Charlie Kirk e projetar influência internacional em um momento de fragilidade da ordem liberal. A exclusão tácita do Brasil revela uma cisão nas relações hemisféricas, enquanto a escolha da Alemanha para o próximo encontro sugere uma tentativa de cooptar a Europa Central na agenda americana. O timing coincide com a crescente influência de movimentos de esquerda na América Latina e Europa, indicando uma estratégia de contenção que vai além do combate ao terrorismo. A iniciativa, portanto, é menos sobre segurança e mais sobre reafirmar a hegemonia ocidental em um momento de desafio à ordem global.