Ex-presidente do Equador é condenado por suborno em caso envolvendo China
Lenín Moreno recebeu cinco anos de prisão em caso ligado à usina Coca Codo Sinclair.
A síntese editorial. Posição declarada. O que tudo isso significa.
Lenín Moreno, ex-presidente do Equador, foi condenado a cinco anos de prisão por suborno em um caso relacionado à construção da usina hidrelétrica Coca Codo Sinclair. A sentença, proferida na sexta-feira (28), também inclui a proibição permanente de Moreno exercer cargos públicos. A Procuradoria-Geral do Equador iniciou a investigação em março de 2023, acusando Moreno, sua família e parceiros comerciais locais e chineses de envolvimento em uma rede de corrupção ligada ao projeto. A usina, que entrou em operação em 2016, enfrenta problemas técnicos desde então. Além de Moreno, sua esposa, filha, dois irmãos e cunhadas foram condenados a penas menores. Cai Runguo, ex-embaixador da China em Quito, também recebeu cinco anos de prisão. Moreno planeja recorrer da decisão e, se confirmada, cumprirá a pena em casa devido à sua idade avançada e condição física.
A condenação de Lenín Moreno ocorre em um momento delicado para as relações Equador-China. A usina Coca Codo Sinclair, financiada e construída por empresas chinesas, simboliza a crescente influência da China na América Latina. A investigação e o julgamento podem ser interpretados como parte de um esforço do Equador para reequilibrar sua política externa, especialmente após o governo atual buscar maior proximidade com os Estados Unidos. O envolvimento de Cai Runguo, ex-embaixador chinês, sugere uma tentativa de desvincular a imagem da China de práticas corruptas na região. No entanto, o timing da condenação coincide com negociações internacionais sobre novos investimentos chineses no Equador, indicando que o caso pode servir tanto para limpar a imagem interna quanto para negociar melhores termos com Pequim. Moreno, por sua vez, torna-se um bode expiatório em um cenário geopolítico mais amplo.