Flávio Bolsonaro propõe adesão do Brasil ao Escudo das Américas contra narcotráfico
Candidato promete classificar CV, PCC e milícias como narcoterroristas em plano que busca alinhamento com EUA
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O candidato do PL à Presidência, Flávio Bolsonaro, anunciou nesta sexta-feira (16/10/2026) sua intenção de incluir o Brasil no Escudo das Américas, aliança liderada pelos EUA contra o narcotráfico. Em entrevista à TV Globo, prometeu declarar CV, PCC e milícias como narcoterroristas e intensificar ações na Tríplice Fronteira.
Flávio afirmou que convocará chefes militares e policiais para 'declarar guerra ao narcotráfico', criticando o governo atual pela situação no Porto de Santos, que chamou de 'segundo maior exportador de cocaína' - alegação não comprovada nos dados apresentados.
O Escudo das Américas, lançado em março de 2026 por Donald Trump, inclui cooperação em inteligência, operações conjuntas e sanções financeiras contra 24 organizações criminosas - PCC e CV já estão na lista americana. Brasil e México atualmente não participam da aliança.
A proposta de adesão ao Escudo das Américas representa mais um capítulo na estratégia de Flávio Bolsonaro de se alinhar ao eixo Trump na América Latina. O timing é significativo: faltando dois meses para as eleições, o candidato busca capitalizar dois pilares de seu eleitorado - os setores de segurança pública e os alinhados com a política externa do governo Trump.
A menção específica ao Porto de Santos não é casual: ataca diretamente o PT em seu reduto paulista, enquanto a ênfase na Tríplice Fronteira sinaliza para as Forças Armadas - eleitorado estratégico - uma prioridade que ecoa a retórica da Era Bolsonaro (2019-2022).
Juridicamente, a classificação como narcoterrorismo enfrenta obstáculos: a legislação brasileira exige comprovação de objetivos políticos, não apenas econômicos. Na prática, o anúncio serve mais como mensagem eleitoral do que como política executável no curto prazo, com valor simbólico para consolidar sua imagem como candidato da 'linha dura'.