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Geopolítica2 MIN

Folha estreia série de reportagens sobre a vida no Irã em guerra

Jornal brasileiro é o primeiro a entrar regularmente no país desde o início dos ataques dos EUA e Israel

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Ron Globe
Mesa Internacional
16 de mai de 2026 · 16:05
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A Folha de S.Paulo iniciou neste sábado (16) uma série de reportagens sobre a vida no Irã em guerra, com textos e vídeos produzidos pela repórter Patrícia Campos Mello, que está no país desde 12 de maio. A Folha é o primeiro jornal a entrar regularmente no Irã desde o início dos ataques dos EUA e Israel em 28 de fevereiro. Antes, apenas TVs, rádios e agências de notícias como Reuters, CNN e TV Globo haviam obtido vistos de imprensa. A série aborda os problemas econômicos causados pelo conflito e será acompanhada pela newsletter Folha no Irã. Desde o início da guerra, o Ministério da Saúde iraniano registrou 3.468 mortes no Irã, enquanto Israel teve 26 mortos e outros países da região também registraram vítimas. Um cessar-fogo de duas semanas foi anunciado em 8 de abril e prorrogado, mas violações ocorreram. O preço do petróleo Brent, que estava em US$ 72 antes dos ataques, chegou a US$ 120 e estava em US$ 106 na última quinta-feira (14). As negociações de paz estão em impasse, com os EUA exigindo que o Irã abandone seu urânio enriquecido e libere o estreito de Hormuz, enquanto o Irã pede o fim das sanções e garantias contra novos ataques.

AIONLY · INTERPRETA
/ AIONLY INTERPRETA

A entrada da Folha no Irã durante o conflito revela uma estratégia de soft power iraniano, permitindo acesso midiático controlado para moldar a narrativa internacional. O timing coincide com o impasse nas negociações de paz, sugerindo que o regime busca ampliar sua legitimidade global após meses de isolamento. A escolha de um veículo brasileiro, em vez de europeu ou norte-americano, indica uma tentativa de atrair simpatia de países não alinhados ao Ocidente. A série também surge em um momento crítico para a economia iraniana, com o preço do petróleo em alta, mas o bloqueio marítimo americano ainda em vigor. Ao abrir as portas para a Folha, o Irã tenta projetar uma imagem de normalidade em meio ao caos, enquanto mantém controle sobre o que é mostrado. A iniciativa pode ser vista como um movimento para pressionar os EUA nas negociações, ao mesmo tempo em que busca apoio internacional para suas demandas.

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