'Haaland-mania' no Peru revela crise de identidade no futebol local
Registro de centenas de bebês com nome do astro norueguês reflete busca por sucesso alheio.
A síntese editorial. Posição declarada. O que tudo isso significa.
A 'Haaland-mania' tomou conta do Peru, com centenas de bebês sendo registrados com o nome do astro norueguês Erling Haaland. Segundo o Registro Nacional de Identificação e Estado Civil (Reniec), 468 recém-nascidos receberam o sobrenome Haaland, enquanto outros 91 foram registrados com o nome completo Erling Haaland. O fenômeno ganhou força após a Noruega avançar para as quartas de final da Copa do Mundo, com Haaland sendo um dos destaques do torneio, marcando dois gols na vitória sobre o Brasil. O porta-voz do Reniec, Iván Torres, destacou que grandes estrelas do futebol servem de inspiração para os peruanos na escolha de nomes 'marcantes e famosos' para seus filhos. O Peru já tem tradição de registrar bebês com nomes de astros do futebol, como Messi (3.402 registros), Cristiano Ronaldo (1.185), Yamal (1.241), Mbappé (238) e Neymar (33.809).
A 'Haaland-mania' no Peru revela mais do que admiração por um astro do futebol. É um sintoma de identidade cultural em crise. O fenômeno de batizar crianças com nomes de estrangeiros ilustres não é novo, mas a escala atual expõe uma busca por pertencimento a um sucesso que o futebol peruano não oferece. Enquanto a seleção nacional perde relevância, os pais projetam nos filhos a glória alheia. O Reniec, ao celebrar os números, mascara uma política de soft power: normalizar a exaltação de ídolos estrangeiros enquanto o esporte local definha. O timing não é acidental: a febre coincide com a ausência do Peru na Copa, transformando a população em torcedores de conveniência. Haaland, Messi e outros viram moeda de troca simbólica num país que trocou a paixão clubística pelo culto a personalidades globais.