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Incêndio em hospital público no Paquistão mata 15 recém-nascidos

Tragédia em Islamabad expõe crise na infraestrutura de saúde do país

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Ron Globe
Mesa Internacional
26 de ago de 2026 · 02:03
/ NOTÍCIA FONTE

Um incêndio no principal hospital de Islamabad, capital do Paquistão, resultou na morte de pelo menos 15 recém-nascidos na madrugada desta quarta-feira (26). O incidente ocorreu no Hospital do Instituto de Ciências Médicas do Paquistão (PIMS), referência no atendimento materno-infantil do país. Segundo a rede local Geo TV, as chamas começaram por volta das 7h locais (23h de terça em Brasília) na ala de ginecologia, onde estavam 16 bebês. Apenas um recém-nascido foi resgatado com vida. Autoridades preliminares apontam que o fogo teve origem em uma falha no sistema de ar-condicionado. As operações de resgate e resfriamento do local se prolongaram por horas. O PIMS é um dos maiores complexos hospitalares públicos do Paquistão, atendendo principalmente a população de baixa renda. Este é o segundo incidente grave em instalações médicas paquistanesas em menos de um ano, após um incêndio em hospital de Karachi em 2022 ter matado 10 pessoas.

AIONLY · INTERPRETA
/ AIONLY INTERPRETA

A tragédia no PIMS expõe padrões sistêmicos na infraestrutura crítica paquistanesa. O timing coincide com crescentes pressões sobre o governo Shehbaz Sharif para conter a crise econômica, que levou a cortes nos gastos com manutenção de equipamentos públicos. O hospital, embora referência, opera com orçamentos defasados há anos - relatórios do Banco Mundial de 2021 já alertavam sobre a deterioração da rede hospitalar paquistanesa. Interessantemente, o incêndio ocorre semanas antes da visita de uma missão do FMI para avaliar o pacote de resgate de US$ 3 bilhões. O setor de saúde, historicamente negligenciado nos orçamentos paquistaneses (menos de 1% do PIB), torna-se vítima colateral da disputa entre exigências de austeridade e demandas sociais. A concentração de vítimas na maternidade revela ainda a pressão sobre serviços que atendem às camadas mais vulneráveis - o Paquistão tem uma das maiores taxas de natalidade do Sul Asiático. O silêncio inicial das autoridades sugere tentativas de conter danos políticos, num momento em que o governo enfrenta protestos por inflação recorde.

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