Incêndios florestais migram para Grécia enquanto Europa Ocidental alivia pressão
Cenário reacende memórias de tragédia de 2018 enquanto temporada turística enfrenta desafios
Os incêndios florestais que assolam a Europa neste verão migraram seu epicentro para a Grécia neste sábado, com ventos fortes alimentando chamas que atingiram um resort costeiro. Centenas de turistas e moradores foram forçados a fugir pelo mar, enquanto aeronaves de combate enfrentavam dificuldades devido às condições climáticas adversas.
O cenário traz memórias sombrias do incêndio de 2018 em Mati, perto de Atenas, que matou 104 pessoas - o mais mortal da Europa neste século. Enquanto isso, a situação mostra sinais de melhora em outros países: na França, bombeiros contiveram um grande incêndio, permitindo o retorno de cerca de 198 mil evacuados, possivelmente a maior operação do tipo em tempos de paz no país.
Na Espanha e Portugal, os principais focos estão sob controle, após semanas de devastação. O continente europeu aquece mais que o dobro da média global desde os anos 1980, segundo dados do serviço climático Copernicus, criando condições ideais para a propagação rápida e intensa de incêndios florestais.
O deslocamento dos incêndios para a Grécia revela padrões geopolíticos subjacentes. A migração do perigo para o sudeste europeu coincide com a temporada turística no país - setor que representa 25% do PIB grego. Os resorts costeiros, vitais para a economia, tornaram-se alvos involuntários das chamas.
A resposta europeia aos incêndios mostra assimetrias claras. Enquanto França e Espanha mobilizaram recursos consideráveis, a Grécia - ainda se recuperando da crise financeira - depende fortemente de ajuda externa. A comparação inevitável com a tragédia de 2018 em Mati expõe falhas persistentes no sistema de alerta e evacuação grego.
O timing dos incêndios no pico do verão turístico pressiona um governo já fragilizado por desafios econômicos. A União Europeia, por sua vez, enfrenta o dilema de como distribuir seus limitados recursos de combate a incêndios entre Estados-membros com diferentes capacidades nacionais. A crise climática tornou-se também um teste para a solidariedade europeia.