Paraguai entrega nota de repúdio ao Brasil após declarações de Lula sobre Guerra do Paraguai
Vice-presidente paraguaio afirma não querer escalar conflito às vésperas das eleições brasileiras
O governo do Paraguai entregou uma nota de repúdio ao embaixador brasileiro em Assunção, José Antonio Marcondes de Carvalho, após declarações do presidente Luiz Inácio Lula da Silva sobre a Guerra do Paraguai (1864-1870). O vice-presidente paraguaio, Pedro Alliana, afirmou que não pretende aprofundar o desentendimento às vésperas das eleições brasileiras de outubro. A crise diplomática começou no dia 24 de julho, quando Lula mencionou o conflito durante visita a uma empresa de defesa em Jacareí (SP), dizendo que o Paraguai 'decidiu invadir o Brasil'. A declaração, embora historicamente correta, foi considerada insensível pelo governo paraguaio, que pediu a devolução de itens da guerra, como os canhões Presidente López e Cristiano, além de documentos históricos. O Paraguai também criticou a forma como o tema foi abordado, destacando a necessidade de tratar o assunto 'com responsabilidade e espírito de reconciliação'.
A nota de repúdio do Paraguai ao Brasil ocorre em um momento estratégico: às vésperas das eleições brasileiras de outubro, quando o governo Lula enfrenta pressões internas e externas. O timing sugere uma tentativa de Assunção de amplificar seu discurso nacionalista sem comprometer a relação bilateral de forma irreversível. A decisão de enviar o vice-presidente Pedro Alliana, e não o presidente Santiago Peña, indica um cálculo cuidadoso: manter uma postura firme, mas evitar escalar o conflito. O pedido pela devolução de itens históricos da guerra, como os canhões Presidente López e Cristiano, é uma demanda antiga do Paraguai, mas sua inclusão na nota atual serve mais como elemento simbólico do que prático. O embaixador brasileiro, por sua vez, buscou minimizar o impacto das declarações de Lula, argumentando que foram tiradas de contexto. Esse movimento sugere que ambos os lados têm interesse em evitar uma crise diplomática prolongada, especialmente em um momento de instabilidade política regional.