Instalação de wi-fi em SP acelerou durante eleições de 2024, aponta investigação
Contrato de R$ 108 milhões com instituto ligado a produtora de filme sobre Bolsonaro teve pagamentos antecipados em ano eleitoral
A Polícia Civil de São Paulo apontou que o Instituto Conhecer Brasil (ICB), ligado à produtora do filme 'Dark Horse' Karina Ferreira da Gama, antecipou a instalação de pontos de wi-fi na capital durante as eleições municipais de 2024, possivelmente para beneficiar a reeleição do prefeito Ricardo Nunes (MDB). Segundo as investigações, o ritmo das instalações acelerou durante o período eleitoral, com 1.605 pontos ativos em outubro de 2024, mas desacelerou após as eleições, alcançando apenas 3.200 pontos em junho de 2025 - deixando 1.800 pontos previstos no contrato sem instalação. O ICB possui contrato anual de R$ 108 milhões com a Prefeitura de São Paulo para levar internet a áreas periféricas. Durante as eleições, a prefeitura antecipou R$ 69 milhões do contrato - R$ 26 milhões a mais do que o previsto para o período. O caso está sendo investigado pela Polícia Federal após determinação do ministro do STF Flávio Dino, que suspendeu pagamentos ao instituto. O processo foi levado ao Supremo por envolver o deputado federal Mário Frias (PL-SP), que tem foro privilegiado.
O timing da aceleração nas instalações de wi-fi coincide precisamente com o calendário eleitoral de 2024, quando o prefeito Ricardo Nunes buscava a reeleição. Os incentivos políticos são claros: infraestrutura digital em áreas periféricas tem impacto direto na percepção da gestão municipal. A antecipação de pagamentos em R$ 26 milhões acima do previsto sugere uma operação de caixa dois disfarçada, com dinheiro público sendo usado para fins eleitorais. O fato do contrato permanecer ativo mesmo após as denúncias indica a força da rede de influência envolvendo a produtora Karina da Gama, cujo filme 'Dark Horse' sobre Bolsonaro revela conexões com setores bolsonaristas. A movimentação do ministro Dino para federalizar o caso expõe a complexidade do esquema, que parece envolver desde a prefeitura até figuras com foro privilegiado no Congresso. O padrão de aceleração pré-eleitoral e desaceleração pós-eleitoral das instalações é típico de operações de clientelismo digital, onde serviços públicos viram moeda de troca política.