Irã ataca Israel pela primeira vez desde cessar-fogo de abril
Escalada ocorre após Israel bombardear reduto do Hezbollah em Beirute.
Forças iranianas lançaram neste domingo (7) o primeiro ataque com mísseis contra Israel desde o cessar-fogo estabelecido em 17 de abril entre os dois países, mediado pelos Estados Unidos. O ataque ocorreu após Israel realizar um bombardeio contra o Hezbollah nos subúrbios ao sul de Beirute, capital do Líbano, também pela primeira vez desde a trégua. O Hezbollah, grupo libanês aliado do Irã, vinha sendo alvo de ataques israelenses no sul do Líbano, apesar do cessar-fogo. O primeiro-ministro israelense, Binyamin Netanyahu, afirmou que o ataque a Beirute foi uma resposta a disparos do Hezbollah em direção ao território israelense. Não houve relatos imediatos de vítimas. O Irã condiciona qualquer acordo de paz com os EUA à manutenção do cessar-fogo no Líbano. Um deputado iraniano ameaçou uma 'resposta decisiva e dolorosa' aos ataques israelenses.
O ataque iraniano a Israel revela a fragilidade do cessar-fogo mediado pelos EUA em abril. A escalada ocorre em um momento de convergência de interesses: Israel busca desmantelar a infraestrutura do Hezbollah no Líbano, enquanto o Irã usa o grupo como proxy para manter influência regional e pressionar por concessões dos EUA. O timing do ataque sugere uma coordenação tácita: o bombardeio israelense em Beirute foi um teste para a resposta iraniana, que agora coloca os EUA em uma posição delicada. Washington depende de um cessar-fogo estável para avançar em negociações com Teerã, mas qualquer movimento pode ser visto como fraqueza por Israel. O ciclo de ataques e retaliações serve a ambos os lados: Netanyahu reforça sua imagem de líder forte diante de uma base eleitoral nacionalista, enquanto o Irã demonstra capacidade de projetar poder regional sem comprometer-se diretamente. O Líbano, por sua vez, segue como palco de uma guerra por procuração que reforça a fragmentação interna do país.