Irã ordena retomada do acesso à internet global após 90 dias de bloqueio
Decisão busca aliviar pressões internas e sinalizar normalização após conflito com EUA e Israel.
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O presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, ordenou a retomada do acesso à internet global após quase 90 dias de bloqueio total, segundo a mídia estatal iraniana. A decisão foi anunciada pelo chefe de relações públicas do Ministério das Comunicações do Irã, mas detalhes sobre como e quando o país se reconectará efetivamente ainda não foram divulgados. O bloqueio, que durou 87 dias, foi o mais longo já registrado em um país digitalmente conectado, superando o apagão de 72 dias ocorrido em Mianmar durante o golpe de Estado de 2021. O acesso à internet foi inicialmente cortado em janeiro em resposta a protestos contra o regime, com conexões sendo restabelecidas gradualmente em fevereiro. Um novo bloqueio foi imposto após os ataques dos Estados Unidos e Israel ao Irã em 28 de fevereiro. Durante o período, a maioria dos iranianos ficou sem acesso à internet, exceto alguns que utilizaram VPNs avançadas e caras para contornar as restrições. O governo iraniano justificou a censura como uma medida de segurança, alegando que forças israelenses e americanas usaram rastreamento de celular para localizar líderes militares assassinados e que redes sociais eram usadas para insuflar um golpe contra o regime.
A decisão de Pezeshkian de retomar o acesso à internet global não é apenas um gesto de abertura, mas uma manobra estratégica para aliviar pressões internas e externas. Internamente, o bloqueio prolongado havia gerado descontentamento generalizado, especialmente entre a população jovem e conectada, que depende da internet para trabalho, educação e comunicação. A medida pode ser vista como uma tentativa de apaziguar esses grupos e evitar novas ondas de protestos. Externamente, o Irã enfrenta crescente isolamento internacional devido ao conflito com EUA e Israel, e a retomada da internet pode ser um sinal de normalização para parceiros comerciais e aliados regionais. No entanto, o governo iraniano mantém o controle sobre a intranet e a censura de sites específicos, indicando que a reabertura é parcial e condicional. O timing também sugere uma avaliação cuidadosa dos riscos: após três meses de bloqueio, o regime parece ter concluído que os benefícios de manter a internet fechada não superam mais os custos políticos e econômicos. A medida pode ainda ser um teste para avaliar o clima interno antes de possíveis concessões maiores ou negociações internacionais.