Manobra militar da Otan leva crise com a Rússia para o Ártico
Exercício no norte europeu posiciona mísseis capazes de atingir Moscou, enquanto Noruega apreende navio russo.
A Otan realizou um exercício militar chamado Atlantic City-2026 no Ártico, entre a Noruega e a Groenlândia, com o objetivo de posicionar rapidamente forças de mísseis para interdição de espaço aéreo e naval. Pela primeira vez desde 2024, a aliança enviou uma bateria móvel de lançamento terrestre do míssil de cruzeiro americano Tomahawk, instalada em Trondheim, na Noruega. O míssil tem alcance de até 2.500 km, suficiente para atingir bases da Frota do Norte russa e até Moscou. Além disso, forças britânicas, americanas e norueguesas instalaram sistemas de defesa antiaérea na ilha de Jan Mayen, a cerca de 1.000 km da costa norueguesa. O exercício ocorre em meio a tensões crescentes com a Rússia, incluindo a apreensão de um navio de cruzeiro russo pela Noruega perto do arquipélago de Svalbard, em nome da empresa ucraniana Naftogaz, que busca compensações pela anexação da Crimeia em 2014.
A manobra da Otan no Ártico é uma resposta calculada ao aumento da atividade militar russa e ao interesse chinês na região. O posicionamento de mísseis Tomahawk na Noruega e sistemas de defesa em Jan Mayen visa controlar a estratégica brecha GIUK, rota crítica para submarinos russos rumo ao Atlântico. A escolha do momento não é aleatória: a apreensão do navio russo pela Noruega, sob pretexto legal, serve como pressão adicional em um jogo de escalada controlada. A Otan sinaliza capacidade de projetar poder em um teatro secundário, enquanto a Rússia é forçada a dispersar recursos. O Ártico, rico em recursos e rotas navegáveis devido ao degelo, torna-se assim mais um tabuleiro no xadrez geopolítico entre potências nucleares.