Meta no banco dos réus: MPF ataca censura algorítmica nas eleições
Ação judicial e recomendação extrajudicial exigem fim de bloqueios automatizados e restauração de contas suspensas sem revisão humana
O Ministério Público Federal escalou sua artilharia contra os algoritmos da Meta em ação inédita no segundo turno das eleições. A dualidade de instrumentos - ação civil pública no Rio Grande do Sul e recomendação administrativa em Brasília - revela a urgência do caso. A plataforma é acusada de asfixiar o debate democrático ao derrubar perfis pró-Lula com justificativas esdrúxulas como 'terrorismo' ou 'nudez' onde não existiam tais conteúdos. A arquiteta Carolina Martins tornou-se símbolo do caso: após criar comunidades de apoio ao petista, viu seu WhatsApp bloqueado e recebeu suspensão no Instagram por postar 'Flávio abra o sigilo'. O MPF identificou o modus operandi: censura automatizada sem notificação clara ou direito à ampla defesa. A exigência de revisão humana para futuras decisões e multa diária de R$ 500 mil por conta afetada mostra que o Judiciário começa a tratar moderadores algorítmicos como risco institucional. A Meta oscila entre reconhecer 'erros pontuais' e negar motivação política, enquanto seu sistema parece reproduzir o viés que promete combater.