Mossad planejou recrutamento do ex-presidente do Irã, diz jornal
Operação secreta visava derrubar regime dos aiatolás e recolocar Mahmoud Ahmadinejad no poder.
A investigação que a matéria não cobriu. Conexões, contexto histórico, fontes extras.
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Uma investigação do jornal israelense Haaretz revelou os bastidores de uma operação secreta do Mossad, serviço de inteligência de Israel, para derrubar o regime dos aiatolás no Irã e recolocar no poder Mahmoud Ahmadinejad, ex-presidente iraniano e um dos maiores inimigos históricos do Estado judeu. Batizada internamente de "Puss in Boots", a operação foi conduzida por quase dois anos pelo diretor do Mossad, David Barnea, sob orientação direta do primeiro-ministro Binyamin Netanyahu, mas fracassou antes de sair do papel. O plano incluía o armamento e treinamento de milícias curdas no Iraque para invadir o oeste do Irã sob cobertura aérea israelense, além da ativação de minorias internas para desestabilizar o país. Na etapa final, Ahmadinejad assumiria o poder, prometendo abandonar o programa nuclear. Segundo o Haaretz, Netanyahu decidiu apostar na mudança de regime após a morte do presidente iraniano Ebrahim Raisi em 2024 e o colapso do regime de Bashar al-Assad na Síria, eventos que o convenceram da fragilidade do regime iraniano. O plano enfrentou forte oposição interna, com avaliações da inteligência militar israelense apontando baixa chance de sucesso.
A revelação do plano "Puss in Boots" pelo Haaretz expõe uma estratégia de Netanyahu para redirecionar o foco do Mossad após anos de relativa cautela em relação ao Irã. A decisão de apostar em Ahmadinejad, paradoxalmente um inimigo histórico de Israel, sugere uma tentativa de criar um líder fantoche que pudesse ser controlado por Tel Aviv. A escolha de Ahmadinejad, no entanto, é arriscada: ele é uma figura polarizadora, tanto no Irã quanto internacionalmente, e sua ascensão poderia gerar instabilidade ainda maior na região. A oposição interna ao plano, com avaliações da inteligência militar apontando baixa probabilidade de sucesso, indica que Netanyahu estava disposto a ignorar conselhos técnicos em prol de uma aposta política. O timing da operação, após a morte de Raisi e o colapso de al-Assad, sugere que Netanyahu viu uma janela de oportunidade para desestabilizar o Irã, mas subestimou a resiliência do regime dos aiatolás. O fracasso do plano pode ter custado recursos significativos ao Mossad e reforçado a percepção de que Netanyahu está disposto a apostar alto em estratégias de alto risco, mesmo diante de conselhos contrários.