Novo modelo de crédito imobiliário pode elevar juros
Mudança prevista para 2027 substitui poupança por mercado de capitais
O novo modelo de crédito imobiliário brasileiro, que deve entrar em vigor plenamente em 2027, pode elevar os juros cobrados dos compradores de imóveis. A mudança prevê substituir a poupança por instrumentos do mercado de capitais, como letras imobiliárias, como principal fonte de recursos para o financiamento habitacional. Gilneu Vivan, diretor de Regulação do Banco Central, afirmou que os primeiros resultados são positivos, com aumento nas operações de crédito após queda nas concessões. No entanto, especialistas alertam para o desafio de definir indexadores que equilibrem o risco para bancos e a previsibilidade para consumidores. Michel Cury, presidente da Abecip, destacou que o novo modelo deve considerar a volatilidade do mercado para garantir estabilidade nas taxas ao longo prazo.
A transição do modelo de crédito imobiliário no Brasil ocorre em um momento de retirada líquida de recursos da poupança, o que força os bancos a buscar alternativas no mercado de capitais. A mudança, discutida entre governo, bancos e setor da construção, busca reduzir a dependência da poupança, mas pode aumentar o custo dos financiamentos. No oeste do Paraná, região com forte demanda por habitação, especialmente em cidades como Cascavel, Toledo e Foz do Iguaçu, o impacto pode ser significativo. O aumento dos juros pode frear o acesso à casa própria, especialmente em municípios onde o FGTS e o SFH já são insuficientes para atender à demanda. Além disso, a volatilidade dos indexadores pode tornar os contratos menos previsíveis para os consumidores, afetando o planejamento familiar e o setor imobiliário local.