O adeus ao 'Big Pussy': Vincent Pastore e a poética dos perdedores no universo Soprano
Ator que personificou a tragicomédia mafiosa morre aos 80, deixando legado de personagens que transitavam entre a lealdade e a traição
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Vincent Pastore levou para o túmulo o segredo que fazia de Salvatore 'Big Pussy' Bonpensiero um dos personagens mais humanos de 'Família Soprano': a arte de falhar com dignidade. Seu último ato — ser encontrado três dias após sua morte no Bronx, bairro que inspirou sua carreira — ecoa o destino de tantos personagens secundários do universo mobster que soube retratar com verve tragicômica. Pastore operava no registro oposto ao dos anti-heróis romantizados: seus mafiosos eram derrotados pela própria mediocridade, presos na armadilha de querer mais do que a hierarquia permitia. Na tela, encarnou como ninguém o dilema do pequeno criminoso que David Chase tão bem capturou — entre a lealdade forçada e a traição inevitável. Fora dela, construiu carreira tardia com papéis que oscilavam entre a brutalidade e a bufonaria, sempre no tom certo. Sua filmografia, marcada por colaborações com Scorsese e De Palma, revela um ator que entendia o crime organizado como teatro do absurdo. Ao partir, deixa não apenas o vazio de 'Big Pussy', mas de todos aqueles personagens que nos lembravam: no submundo como na vida, os coadjuvantes sempre pagam primeiro.