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O freio nos dentes: Executivo refém do Congresso

Dinâmica de poder entre Presidência e Legislativo revela quem comanda o Orçamento.

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Paul Spider
Mesa de Política
30 de ago de 2026 · 17:03
/ NOTÍCIA FONTE

Em artigo publicado na Folha de S.Paulo, Marcus André Melo, professor da Universidade Federal de Pernambuco, analisou a dinâmica de poder entre o Executivo e o Legislativo no Brasil. Segundo o autor, a Presidência da República, que antes era descrita como superpoderosa, hoje enfrenta um cenário em que o Congresso Nacional detém maior controle sobre o Orçamento e as políticas públicas. Melo citou a entrevista de Lula na TV Globo durante a campanha presidencial de 2022, onde o então candidato acusou Bolsonaro de ser refém do Centrão. Agora, o próprio Lula se vê na mesma posição, com o Legislativo exercendo forte influência sobre suas decisões. O artigo também menciona a análise da revista The Economist, que destacou o paradoxo de os parlamentares brasileiros serem mais poderosos que o Executivo, num contexto global onde candidatos a autocratas têm expandido seu poder unilateralmente. Melo reforçou que, independentemente de quem vença as eleições presidenciais, o próximo mandatário terá que lidar com essa realidade institucional, que diminui a capacidade de ação do presidente e aumenta a dependência de negociações com o Congresso.

AIONLY · INTERPRETA
/ AIONLY INTERPRETA

A inversão de poder entre Executivo e Legislativo não é apenas uma questão institucional, mas uma estratégia política cuidadosamente construída. O Centrão, bloco que domina o Congresso, ampliou sua influência ao longo dos últimos anos, transformando o Orçamento em moeda de troca para garantir apoio político. Enquanto Bolsonaro foi retratado como incapaz de controlar essa dinâmica, Lula tenta rebatizar a mesma situação como uma falha estrutural do sistema. A narrativa de Lula tenta evitar o rótulo de fraqueza, mas a realidade é que ambos os governos foram capturados pela mesma lógica. O timing desse debate não é aleatório: em 2026, ano eleitoral, o controle do Orçamento será ainda mais crucial para garantir apoio parlamentar. A pergunta-chave é: quem realmente lucra com essa dinâmica? O Congresso, claro, mas também os grupos econômicos que têm acesso privilegiado às emendas e aos recursos públicos. A espiral do silêncio aqui é evidente: todos sabem que o presidente é refém, mas ninguém quer admitir que o poder real está nas mãos de quem controla o fluxo do dinheiro público.

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