Operação da PF mira Mario Frias e produtora de filme sobre Bolsonaro
Investigação busca desvendar suposto desvio de recursos públicos para produção cinematográfica.
A síntese editorial. Posição declarada. O que tudo isso significa.
A Polícia Federal (PF) cumpriu mandados de busca nesta quinta-feira (10/09) em operação relacionada ao financiamento do filme 'Dark Horse', que conta a história do ex-presidente Jair Bolsonaro. O deputado federal Mario Frias (PL-SP) e a produtora do filme, Karina Ferreira da Gama, foram alvos da ação. O caso está sob relatoria do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), que determinou a operação da PF. A PF informou que a operação Make Up apura o suposto desvio de recursos públicos oriundos de emendas parlamentares repassadas, por meio de termos de fomento, a organizações da sociedade civil. Frias é acusado de ter repassado R$ 2 milhões a Gama, que é dona de um instituto à frente de projetos sociais e, ao mesmo tempo, da produtora Go Up Entertainment, responsável por 'Dark Horse'. Em vídeo postado em suas redes sociais, Frias acusou a operação de ser uma 'cortina de fumaça' em período eleitoral e afirmou que a emenda parlamentar investigada foi destinada a um projeto esportivo e de letramento digital para crianças. Ele disse ter documentos e notas para comprovar a licitude da ação. Em sua decisão, Dino afirmou acreditar haver risco concreto de ocultação ou destruição de provas cruciais para a investigação e determinou medidas cautelares contra Frias e os demais investigados, proibindo-os de viajar para o exterior e de manter contato entre si. Flávio Bolsonaro, candidato à Presidência e correligionário de Frias, comentou a operação em transmissão ao vivo no YouTube, acusando Dino de agir politicamente para prejudicá-lo nas eleições e afirmando que 'Dark Horse' foi produzido de forma regular e com dinheiro privado.
A operação da PF contra Mario Frias e a produtora de 'Dark Horse' não é apenas uma investigação sobre desvio de recursos públicos. É um movimento estratégico no contexto eleitoral, onde o STF, sob relatoria de Flávio Dino, busca desmontar a narrativa bolsonarista que o filme pretende consolidar. O timing é crucial: com Flávio Bolsonaro na corrida presidencial, qualquer mancha no legado de seu pai pode ser fatal. A acusação de desvio de emendas parlamentares para financiar um filme propagandístico é uma tentativa de minar a credibilidade do projeto e, por extensão, do próprio Bolsonaro. Frias, por sua vez, é um alvo conveniente: seu histórico de envolvimento em projetos sociais e culturais facilita a narrativa de desvio de recursos. A estratégia de Dino em proibir contatos entre os investigados sugere que o STF teme uma coordenação para ocultar provas, indicando que a investigação pode estar próxima de revelar informações sensíveis. Enquanto isso, Flávio Bolsonaro tenta desviar o foco, enfatizando a suposta regularidade do financiamento privado do filme, mas a questão central permanece: quem realmente financiou 'Dark Horse' e com qual interesse?